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Arquitetura de farmácias: como novos serviços estão transformando o projeto das lojas

Durante muitos anos, o projeto de uma farmácia foi orientado por uma lógica relativamente estável: organizar a exposição de medicamentos, otimizar o atendimento no balcão e garantir eficiência operacional. No entanto, a evolução do varejo farmacêutico alterou esse cenário. À medida que as redes passaram a incorporar novos serviços e ampliar sua proposta de valor, o espaço físico também precisou acompanhar essa transformação.

Neste artigo, você entenderá como essa mudança aconteceu, quais fatores impulsionaram esse novo modelo de negócio e por que dados estratégicos passaram a orientar tanto as decisões comerciais quanto os projetos de arquitetura de farmácias.

Como novos serviços estão transformando a arquitetura de farmácias

A transformação da arquitetura de farmácias começou muito antes do desenvolvimento de novos conceitos de loja. Ela teve origem em mudanças no comportamento dos consumidores e na forma como as redes passaram a enxergar seu papel dentro do ecossistema de saúde.

Segundo a pesquisa “What’s Next for Pharmacies in Latin America”, realizada pela McKinsey & Company com mais de 2.500 consumidores em 14 países da América Latina, 62% das pessoas afirmaram ter adiado algum atendimento de saúde por dificuldades de acesso. O estudo demonstra que essa lacuna abriu espaço para que as farmácias ampliassem sua atuação e oferecessem serviços de saúde mais próximos da rotina da população.

Ao mesmo tempo, segundo a pesquisa “Meeting Changing Consumer Needs: The US Retail Pharmacy of the Future”, também da McKinsey & Company, consumidores demonstram interesse crescente em utilizar farmácias para vacinação, testes rápidos, acompanhamento farmacêutico, programas de adesão ao tratamento e outros serviços relacionados à atenção primária.

Esse movimento ampliou significativamente a proposta de valor das farmácias. Além da venda de medicamentos, muitas unidades passaram a oferecer serviços clínicos, soluções de conveniência e atendimento em saúde, aproximando esses estabelecimentos do cotidiano das pessoas.

Como consequência, novas necessidades passaram a fazer parte do projeto arquitetônico. Ambientes para vacinação, salas destinadas à aplicação de medicamentos injetáveis, espaços para testes rápidos e áreas voltadas ao atendimento farmacêutico exigem privacidade, infraestrutura específica, acessibilidade e uma organização espacial diferente daquela encontrada nas farmácias tradicionais. Ao mesmo tempo, o crescimento do omnichannel ampliou a importância de áreas destinadas à retirada de pedidos, enquanto categorias de conveniência e bem-estar passaram a ocupar posições mais relevantes dentro da loja.

Na prática, essa evolução levou muitas redes a revisar a distribuição dos ambientes, reorganizar fluxos de circulação, reposicionar categorias e adaptar áreas operacionais para acomodar diferentes jornadas de atendimento em um mesmo espaço. Dessa forma, a arquitetura de farmácias passou a acompanhar uma operação mais complexa e integrada, refletindo a evolução do próprio modelo de negócio.

Dados que orientam a arquitetura de farmácias

A incorporação desses novos serviços não aconteceu de forma intuitiva. As pesquisas da McKinsey mostram que a ampliação do papel das farmácias está diretamente relacionada às mudanças no comportamento dos consumidores, às dificuldades de acesso aos serviços de saúde e ao aumento da procura por soluções mais convenientes. A partir desse cenário, as redes passaram a aprofundar suas análises para compreender quais mudanças realmente faziam sentido para seus clientes e como elas deveriam ser implementadas em cada mercado.

Essas decisões são sustentadas por indicadores como desempenho das categorias, frequência de visita às lojas, recorrência de compra, comportamento omnichannel, perfil demográfico e participação das categorias nas vendas. Em conjunto, essas informações ajudam a identificar quais serviços possuem maior potencial de adesão, quais categorias passam a assumir papel mais estratégico e como o consumidor utiliza os diferentes espaços da loja.

Metodologias de dados como cocriação do projeto

Grandes redes do varejo, como Tesco, Walmart e Boots, utilizam metodologias consolidadas de análise de dados, como Curva ABC, Category Management e Space Management, durante o desenvolvimento e a evolução de suas lojas. Essas metodologias fazem parte do processo de cocriação dos projetos, permitindo que decisões arquitetônicas sejam fundamentadas por informações sobre desempenho das categorias, comportamento do consumidor e utilização do espaço.

Embora possuam aplicações distintas, elas atuam de forma complementar. A Curva ABC identifica quais categorias possuem maior impacto para a operação. O Category Management amplia essa análise ao definir o papel estratégico de cada categoria dentro da jornada de compra. Já o Space Management utiliza essas informações para apoiar decisões relacionadas à distribuição do espaço físico, equilibrando o potencial comercial das categorias com as limitações da loja.

Essas metodologias podem ser aplicadas individualmente ou de forma integrada, cruzando diferentes indicadores para ampliar a qualidade das análises. Além de apoiar decisões estratégicas para o negócio, elas também oferecem critérios técnicos que auxiliam a arquitetura de varejo na definição da área destinada a cada categoria, na reorganização dos fluxos de circulação, na incorporação de novos serviços e na distribuição dos ambientes de acordo com as prioridades da operação. Essa integração contribui para que o projeto seja desenvolvido a partir de evidências, aproximando arquitetura, estratégia comercial e experiência do consumidor.

O que mudou na arquitetura de farmácias nos últimos anos?

A experiência da TR10 em projetos de rollout e expansão para a Drogaria São Paulo permitiu acompanhar essa transformação de perto.

Hoje, a rede oferece uma série de serviços que complementam a venda de medicamentos, como vacinação, aplicação de injetáveis, testes rápidos, atenção farmacêutica, monitoramento de indicadores de saúde e outros atendimentos disponibilizados por meio do seu Portal de Serviços. Esse modelo amplia a jornada do consumidor dentro da loja e exige projetos capazes de integrar atendimento clínico, operação comercial e conveniência em um mesmo ambiente.

A participação da TR10 em projetos de rollout e expansão para a rede permitiu vivenciar, na prática, como essa evolução do varejo farmacêutico influencia diretamente as decisões arquitetônicas e a implantação de novas unidades, contribuindo para que cada projeto preserve tanto a identidade da marca quanto as necessidades operacionais desse novo formato de loja.

Conheça o projeto desenvolvido para a Drogaria São Paulo:

Em resumo, a evolução da arquitetura de farmácias demonstra como mudanças no modelo de negócio costumam produzir impactos diretos na organização dos espaços físicos. À medida que novos serviços passam a fazer parte da operação, decisões relacionadas à distribuição dos ambientes, aos fluxos e à experiência do consumidor tornam-se ainda mais estratégicas.

Dessa forma, compreender os dados que motivam essas transformações é tão importante quanto desenvolver o próprio projeto arquitetônico. Redes que conseguem transformar informações de mercado em diretrizes de projeto tendem a criar ambientes mais preparados para sustentar sua operação, acompanhar sua expansão e responder às novas demandas do varejo farmacêutico.

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